domingo, 5 de dezembro de 2010

Sinto falta

[...] de coisas que um dia desprezei, falta dos dias de aula, das fofocas em sala, das guerras de bolinha de papel, de colar papel higiênico molhado no teto do banheiro, falta de beijos e abraços que um dia neguei. Sinto falta das noites de verão que passava na rua, falta de mascar chiclete de boca aberta e ser chamada atenção, comer salgadinho de boca aberta, e mostrar a língua. Sinto falta de passeios escolares em que tínhamos que fazer trenzinho, sinto falta de ser criança, da época que eu era feliz de verdade, era sincera sem maldade; quero voltara ter liberdade, igual em minha infância, quero voltar a ser brega, não ter inimigos, e fazer novos amigos.
 Sinto falta de dever um real para o tio do churros, sinto falta do começo de minha adolescência, da época da descoberta, onde tudo para mim era novo, onde tudo simbolizava 'liberdade'. Quero chuva de verão, amar sem confusão, sentir falta sem distração, abraçar com exaustão, fazer um brinde com gratidão; pois sentir falta é normal, principalmente quando se sente falta de coisas que realmente marcaram nossas vidas de forma informal. Para mim é a maior prova de que tudo na vida vale apena até mesmo perdas.

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